Sábado, 19 de maio de 2012
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ESCOLA DOMINICAL

Lição 13
A Integridade de um Líder

Introdução

A vida de Neemias e o seu exemplo é desafiador e ao mesmo tempo motivacional. Atributo como a integridade nos dias hodiernos tem sido deixado de lado, pois vivemos nesta pós-modernidade o mundo de inversões de valores.  Esta lição nos propõe um estudo onde nos motiva ser íntegros. Será visto alguns princípios se praticados jamais nossa visão será ofuscada da integridade.   

I. DEUS ESCOLHE E PREPARA LÍDERES PARA SUA OBRA

1. Um copeiro a serviço do Reino.

1.1. O Rei Artaxerxes. A função exercida por Neemias na corte do rei Artaxerxes não era das mais gratificantes, uma vez que tudo que ia à mesa do rei obrigatoriamente passava pela inspeção do copeiro-mor a fim de detectar e impedir atentados à vida do monarca.

1.2. Características do Neemias. Apesar de tão arriscado papel, Neemias tinha uma característica que o diferenciava dos demais servos do rei: ele nunca se apresentava triste ao rei. Esse israelita nascido na Pérsia e provavelmente descendente da Tribo de Judá (Ne 2.2-3).

1.3. O cargo de Neemias.  na corte persa exercia o cargo de maxeqeh, um cargo de extrema confiança do rei, haja vista ser ele o responsável pela seleção do vinho e de tudo o que era servido à mesa do rei; era provado para estar seguro de que não estava envenenado, era quem servia o monarca e devido essa confiança, era uma companhia à altura do rei. Nesta última função, devia com freqüência, oferecer conselhos informais e apreciar as confidências do rei (Ne 1.11; veja Gn 40.21). Serviu na corte do rei Artaxerxes I (465 a 424 a.C.), filho de Assuero ou Xerxes I, marido da rainha Ester[1]. Em dezembro de 446 a.C., quando recebeu notícias de Jerusalém: “Os que não foram exilados… estão em grande miséria e humilhação; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas queimadas a fogo” (Ne 1.3), Neemias sentou, chorou, ficou de luto vários dias, jejuou e orou a Deus (Ne 1.4), mas também se dispôs a agir e ao agir, fê-lo com refinada sabedoria.

1.4. Liderança se faz com exemplo e Neemias era um grande e admirável exemplo para o seu povo. Como a reconstrução dos muros requeria dedicação total, ele jamais deixou de labutar junto ao povo: “E nem eu, nem meus irmãos, nem meus moços, nem os homens da guarda que me seguiam largávamos as nossas vestes; cada um ia com suas armas à água” (Ne 4.23).


2. Uma rainha a serviço do Reino.


2.1. A vida de Ester mostra-nos, claramente, que devemos viver não só para nós mesmos, mas também para os outros, pois somos parte do corpo de Cristo. O rei persa Assuero (Et 1.1) é identificado pelos estudiosos da Bíblia como sendo o rei Xerxes I, que foi rei da Pérsia entre 485 a.C. e 465 a.C., era filho de Dario I, rei entre 521 a.C. e 486 a.C., que, por sua vez, havia sucedido a Smerdis, que reinara apenas um ano, em 521 a.C. e que sucedera a Cambises II (530-522 a.C.), filho de Ciro.

2.2. A história de Ester acontece sob o reinado do quinto rei persa depois da queda de Babilônia, mais ou menos 54 anos depois da queda de Babilônia. O ralato bíblico é muito sucinto, mas, pela história, sabemos como eram comuns as armadilhas, as difamações, as “fofocas” num lugar como o harém real, em especial no momento em que Ester o habitou, quando se tratava de escolher a nova rainha. No entanto, Ester não se conduziu egoisticamente, não visou os seus próprios interesses, mas, sem deixar de se esforçar para alcançar o prêmio, que era o de tornar-se rainha, tanto que aprendeu todas as lições que lhe deu Hegai, jamais deixou de fazer o bem a quem estava à sua volta, alcançando graça aos olhos de todos.

3. Um pastor de ovelhas a serviço do Reino.

3.1. O Senhor achou graça em Davi, pois ele era conforme o Seu coração, tinha plena confiança em Deus e possuía uma fé inabalável. Sua família ficou muito surpresa, pois sendo o menor da casa, aquele que ninguém dava importância, foi ungido a Rei por Samuel, e pouco tempo depois após esperar pacientemente Davi começou a governar Judá.

3.2. Embora receba este testemunho do próprio Deus, Davi não era um homem sem pecado, mas um homem impulsionado por um grande desejo. Na verdade era ele um homem com um temperamento violento, cheio de vícios de caráter, um homem cruel muitas vezes. Entretanto, quando Deus colocou o dedo nele, ele mostrou-se completamente arrependido.

3.3. O que agrada ao Senhor é um caráter reto e íntegro. Davi experimentou o espectro total de emoções que eu e você temos experimentado, mas ainda assim Deus o chamou de “um homem segundo o seu coração”, porque, mesmo tendo fracassado para com Deus muitas vezes, ele amava a Deus de todo o seu coração. Essa é uma das principais características de um verdadeiro líder.

II. AS CARACTERÍSTICAS DE UM LÍDER DE DEUS

1. Integridade espiritual.

1.1. Integridade é o proceder santo; é o caráter diferenciado do mundo e da sociedade em que vivemos; é não se conformar com os costumes e modismos que nos cercam; é seguir um padrão de comportamento Bíblico diante de uma sociedade corrupta e imoral. É acima de tudo ser fiel a Deus e à sua Palavra.

1.2. Em (Rm 12. 2) o apostolo Paulo assim admoesta: “E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. O apóstolo Pedro também diz: “Como filhos obedientes, não vos conformeis às concupiscências que antes tínheis na vossa ignorância”(1Pe 1:14).

2. Integridade moral.

2.1. Um espelho reflete a qualidade da liderança de seus líderes ou dirigentes. Neemias chegou a Jerusalém investido de uma autoridade e como governador poderia emitir suas ordens, mas não o fez.

2.2. O sociólogo Max Weber afirma que há uma diferença entre poder e autoridade.

a) Poder: É a  faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não fazer.

b) Autoridade é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influencia pessoal.

2.3. O líder prudente sabe usar a autoridade da qual está investido. O modelo bíblico de liderança é aquele centralizado no caráter, ao contrario do que ensinava Maquiavel que era preferível ao rei ser temido a ser amado.

3. Um testemunho irrepreensível.

3.1. Neemias viveu de forma correta e integra. Não podemos nos esquecer que liderança é exemplo.

3.2. O discurso do líder tem de ser coerente com a sua prática. A comunhão com esse Deus exige santidade. O líder deve ser íntegro espiritual e moralmente, tendo um testemunho irrepreensível.

3.3. Tanto em (Lv 19:2; 1 Pe 1:16), A expressão “sedes Santos PORQUE Eu sou santo” implica que Deus não nos impõe santidade mas se modela a santidade.

III. A VIDA DEVOCIONAL DO LÍDER DE DEUS

1. A oração.

1.1. Neemias armou-se da oração e fez dela o seu instrumento de todos os momentos – (Ne 1.4). Precisamos sempre está protegidos principalmente nas áreas psicoemocionais.  

1.2. Por meio da oração, este líder utilizou-se de alguns elementos:

a) Adoração (Ne 1.5)

b) Confissão (Ne 1.6,7)

c) Reivindicação (Ne 1.8-11)

d) Umas onze vezes, o registro descreve Neemias dirigindo-se a Deus em oração ou intercessão – Ne 1.4, 11; 2.4; 4.4, 9; 5.19; 6.9, 14; 13.14, 22, 29, 31

e) Neemias sabia que o líder deve depender de Deus - Jo 15.5

2. O estudo da Palavra de Deus.

2.1. “Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei, esse é bem-aventurado” (Pv 29.18).

2.2. Pelo que podemos inferir de Rm 12.1,2, deve haver uma constante exposição doutrinária perante a congregação a fim de não permitir a conformação de muitos com o mundo. ‘Profecia’ aqui encerra o sentido de ‘visão’ e ‘revelação’ e afirma que a vontade revelada do Senhor e suas justas exigências conforme explícitas nas Escrituras, são o meio pelo qual o homem pode permanecer bem-aventurado.

2.3. A Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus e a principal fonte de revelação da vontade de Deus para com o homem.  Para sabermos acerca da vontade de Deus a Bíblia é o principal registro seguro para tal compreensão.

a) O Ponto fundamental para conhecermos o caráter e a vontade de Deus é conhecer a Sua Palavra e, por este motivo, Jesus sempre demonstrou que Seu ministério nada mais era senão o cumprimento das Escrituras (Mt 5:17,18; João 5:39; Lc 24:44-47). O estudo e o ensino da Palavra era, ao lado da pregação do Evangelho, o principal e exclusivo trabalho dos apóstolos na igreja primitiva (At 6:2,4). O apóstolo Paulo foi um líder que deu imenso valor o estudo da Palavra de Deus. Em Éfeso, ele ensinou a Palavra durante dois anos, e o ensino era diário - Leia Atos 19:8-10.

b) Em (Ne 8), o povo  se reuniu para ouvir a Palavra. A leitura, a explicação e a aplicação da Palavra trouxeram choro pelo pecado e alegria de Deus na vida do povo. Vimos também que a liderança reuniu-se para aprofundar-se no estudo da Palavra e o resultado foi a restauração da vida religiosa de Jerusalém. Essas reuniões de estudo aconteceram durante 24 dias (8:1-3,8,13,18; 9:1). Havia fome da Palavra. O estudo e a obediência dela trouxeram um poderoso reavivamento espiritual. Não temos nenhum outro relato bíblico de um culto tão impressionante quanto esse, quando o povo, pelo exemplo de seus líderes, reuniu-se durante um mês para estudar a Palavra e acertar a sua vida com Deus.

c) Através do estudo da Palavra de Deus, liderado por Esdras e Neemias, os israelitas compreenderam que se tivessem guardado a Lei do Senhor não tinham ido para o cativeiro, as cidades não tinham sido devastadas e os muros não necessitavam de reconstrução. O arrependimento pelos pecados cometidos fez com que o povo de Israel assumisse um compromisso de obedecer ao Senhor e à Sua Palavra.

d) O salmista alerta que a felicidade do homem está em ter prazer na lei do Senhor de dia e de noite (Sl 1:1,2) e, desde o tempo de Moisés, é dito que o segredo da própria vida espiritual é o fato de termos conhecimento e praticarmos, dia-a-dia, a Palavra do Senhor (Dt 6:1-9).

3. Adoração ao Senhor.

3.1. O Escritor Jonh Piper diz que Adoração, é a ocupação principal da igreja, porque Deus, e não o homem, é o centro de todas as coisas...

3.2. “A Verdadeira adoração deve ser feita pelo que Deus é e não em que somos motivados por uma recompensa dele... Pois Deus apela para o amor, o relacionamento e não por motivações de posses” Pr. Ricardo.

3.3. Na dedicação dos muros e portas de Jerusalém, Neemias preparou um culto especial de adoração e louvores a Deus (Ne 12:27) e ordenou que dois corais fossem à frente dos cortejos durante a celebração(Ne 12:38). O verdadeiro líder adora a Deus, porque sabe que toda a glória deve ser endereçada ao Senhor de toda a glória. Neemias adorou a Deus: “Ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e terrível, que guardas o concerto e a benignidade para com aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos!”(Ne 1:5). Deus deve ser adorado por ser quem ele é: bendito,
Civilização Medo Persa

Em torno de 6000 a.C., tribos originárias da Ásia Central, pertencentes a um grupo lingüístico comum chamado indo-europeu ou ariano, ocuparam a região do atual planalto do Irã. Sua população ampliou-se consideravelmente graças a novas e seguidas vagas migratórias por volta de 2000 a.C. Situada a leste da Mesopotâmia, esta área caracterizava-se pela baixa fertilidade do solo com quase um terço de seu território formado por desertos e montanhas.

A agricultura só era possível, na maior parte da região, com a utilização de técnicas de irrigação artificial. No século VIII a.C.,  esses grupos achavam-se organizados em pequenos Estados, destacando-se os reinos dos medos, ao sul do mar Cáspio, e o dos persas, a leste do golfo Pérsico. Em meio às disputas e alianças com os vizinhos persas, o sucessor Ciáxeres acabou destronado por Ciro I, da Pérsia, completando a fusão ao novo Reino da Pérsia ou Aquemênida. Com Ciro I (559 a.C. – 529 a.C.), iniciou-se a dinastia Aquemênida e um expansionismo territorial que levaria a civilização medo-persa a construir um enorme império. Ciro I conquistou a Lídia e colônias gregas da Ásia Menor e, a seguir, em 539 a.C., a Babilônia, libertando os judeus do cativeiro, permitindo seu regresso à Palestina ( Esdras 1-1).

Progressivamente a Fenícia, a Palestina e a Síria também se submeteram ao domínio persa, cujo império se estendeu da Ásia Menor e costa mediterrânica, no ocidente, à Índia, no oriente. O domínio de diferentes povos numa única administração era conseguido com uma política que respeitava as diferenças culturais e religiosas. Diferentemente de impérios anteriores conciliava interesses, permitindo uma autonomia política que disfarçava a sujeição econômica. Foi a hábil aliança do domínio persa com as elites locais dos povos integrados ao seu império que, justamente, originou o apelido o grande, dado ao imperador Ciro. Este, ao que parece, morreu em 529 a.C. devido a ferimentos contraídos em guerra contra povos nômades da região do mar Cáspio.

O sucessor de Ciro, o filho Cambises I (529 a.C. – 522 a.C.), continuou o expansionismo, empreendendo uma expedição persa sobre o Egito, conquistando-o na  batalha de Pelusa, em 525 a.C. No Egito, o último faraó Psamético III foi feito prisioneiro e Cambises, reconhecido como o rei sucessor, desenvolveu uma política sem a tolerância típica da administração de seu pai. Com Cambises, impôs-se uma crescente centralização, um despotismo político, tão comum aos reinos da Antiguidade oriental. Ao morrer, sem deixar um filho herdeiro, foi sucedido por outro membro de sua família, apoiado pela cúpula política constituída pelo Conselho Real, o conjunto de líderes que representavam as tribos que, unidas, tinham dado origem ao Império Persa. Este herdeiro era Dario I (512 a.C. – 484 a.C.), o soberano persa que levaria o império ao seu apogeu e que foi considerado um administrador exemplar.

Dario I reforçou a diplomacia de respeito às tradições nacionais e religiosas  locais, além de estabelecer uma organização administrativa que dividiu o Império Persa em vinte províncias, chamadas satrápias, as quais eram regidas por sátrapa (governador) e obrigadas a pagar um imposto ao império de acordo com as posses e riquezas da província.

Ao mesmo tempo, fixou tropas em cada satrápia cujo comando cabia exclusivamente ao imperador, buscando evitar demasiada concentração de poder nas mãos dos sátrapas. Para maior controle das províncias, Dario I criou um eficiente sistema de correio e uma ampla rede de estradas que ligavam cidades-sedes de governo (Susa, Pasárgada e Persépolis) às províncias. Além disso, o imperador enviava anualmente os inspetores especiais, chamados de “olhos e ouvidos do rei”, para ouvir as reclamações de governados e governantes.

Aprimorando a administração, Dario viabilizou os sistemas de impostos e estimulou o intercâmbio comercial com a criação da moeda de ouro, o dárico,  transformada na primeira unidade monetária internacional confiável e aceita, no mundo antigo. Sob a autorização de Dario, continuava a existir o uso local das tradicionais moedas de cobre e prata, cunhadas pelos sátrapas, porém, sem a importância da moeda imperial. A garantia do enorme império estava no exército formado por soldados dos satrápias e comandados pelos medo-persas, cujo poderio levou Dario I à tentativa de dominação completa das colônias gregas da Ásia Menor, originando um dos maiores conflitos militares do mundo antigo: as Guerras Médicas. Este confronto entre Oriente e Ocidente levou as várias cidades gregas a uma união militar na luta pela autonomia e defesa de seu território, culminando nos insucessos militares de Dario I e de seu sucessor, o filho Xerxes I. O resultado final foi a vitória grega que marcou o início da completa decadência do império, de forma rápida e incontrolável.

Em grande parte, a heterogeneidade do exército medo-persa favoreceu as seguidas derrotas para os gregos. No governo de Xerxes I (481 a.C. – 465 a.C.) e, mais intensamente, no de seus sucessores, as revoltas das populações subjugadas acabaram completando o enfraquecimento e a desintegração do império, o que permitiu a completa conquista Macedônia de Alexandre Magno, em 330 a.C., pondo fim à dinastia aquemênida.

Conclusão

Onde deve começar nossa integridade? A exemplo de Neemias deve começar  dentro de nós mesmos e deve refletir e estender-se em todas áreas onde relacionamos. Portanto sigamos o conselho do apostolo Paulo: “Pois o que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens.” – 2 Co 8:21 (ARA)

Elaborado por  Pr. Ricardo Leite

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