Missionário Dagnaldo Pinheiro, preso e deportado do Egito, fala ao Jornal Contato Cristão
O guia turístico e missionário da AD Uberlândia, em parceria com a AD Belo Horizonte no Egito, foi preso no dia 17 de agosto de 2010 por portar folhetos de evangelismo e Bíblias no porta malas do seu carro. No momento de sua prisão, ele levava duas turistas brasileiras a um passeio nas pirâmides, no Cairo. Sua prisão durou nove dias, e repercutiu nacionalmente pela mídia secular. Depois de sua deportação, veio ao Templo Central da AD Belo Horizonte ministrar a Palavra de Deus e contar seu testemunho, ocasião em que deu entrevista ao Jornal Contato Cristão. Leia abaixo na íntegra a entrevista.
Contato Cristão: Você compara sua prisão como nos primórdios da Igreja Primitiva?
Posso dizer que sim. Esta intolerância religiosa começou bem cedo com os apóstolos. Pedro, Paulo e outros que viveram esta experiência. E naqueles dias ali na prisão me lembrei disso, porém, assim com eles, tive a oportunidade de pregar a palavra para algumas daquelas pessoas e as mesmas me admiravam, pois mesmo diante daquela situação eu não me encontrava triste e nem mesmo amargurado como as outras, mas sim alegre confiante que o Senhor estava no controle de tudo.
Contato Cristão: Com foi a posição do governo brasileiro quando tomou conhecimento de sua prisão?
Foi inerte a princípio. Depois que alguns políticos, amigos meus fizeram uma pressão junto ao Itamarati, a embaixada brasileira no Cairo então passou a interessar pelo meu caso, me localizou e deu-me todo suporte da minha extradição.
Contato Cristão: Lá na cadeia longe dos familiares você sentia que as igrejas brasileiras e até de outros países que tomaram conhecimento do caso estavam orando para tirá-lo daquela situação?
Sim, no meio daquilo tudo, pressão psicológica, correndo risco de morte, eu sabia que as igrejas no Brasil e em outros países estavam intercedendo por mim. Sentia dentro de mim uma força que não era minha. Quando me levavam de lugar para outro lugar, algemado e com uma escolta policial, as pessoas que me viam ficavam impressionados, andava de cabeça erguida como se eu estivesse em total liberdade e a alegria do Senhor em meu coração. Isto me fez lembrar-se do apostolo Pedro quando o Senhor o visitou na prisão, o mesmo aconteceu comigo.
Contato Cristão: O que produziu dentro de você esta experiência vivida no Egito?
Olha, produziu um grande desejo de não parar e sim de prosseguir, caminhar em frente. O episódio provocou algo especial em mim por alguns motivos; de estar ali preso por causa do evangelho, pela Igreja em diversos países que estavam orando por mim e finalmente por ter a oportunidade de compartilhar as boas-novas dentro da prisão. Meu desejo hoje é retornar para aquela região, mesmo depois de tudo isto e continuar o trabalho. Creio que isso despertou em mim um desejo maior por missões, percebo também que este acontecimento fez com que a Igreja se sentisse com uma responsabilidade ainda maior pela causa missionária.
Contato Cristão: Então você está disposto a voltar?
Sim, pretendo voltar se for esta a vontade de Deus na minha vida. Creio que o meu futuro missionário está em terras egípcias.
Contato Cristão: Existem Igrejas estabelecidas no Egito?
Existe sim. Para quem não conhece o Egito se tem uma impressão que há liberdade religiosa, mas só dentro das Igrejas. Temos as Igrejas Ortodoxas e Cristãs, lá você pode cantar e pregar a vontade, o único crime é evangelizar muçulmanos (e 90% da população e muçulmana) e também falar de sua fé em Jesus para eles. Se você não fizer fique tranqüilo, ninguém vai te incomodar.
Contato Cristão: Número de cristãos aproximado no Egito?
Temos entre 10% a 15% de cristãos no Egito para uma população de 78 milhões de pessoas. Mas apenas 2% são verdadeiros crentes nascidos de novo.
Contato Cristão: Quando que você retornou ao Brasil?
Retornei ao Brasil no dia 27 de agosto pela manhã, depois de nove dias preso no Egito, foi uma sensação ótima de ter retornado ao meu país sem nenhuma seqüela e o mais importante salvo.
Contato Cristão: A imprensa noticiou que você teve contato com a sua noiva no Maranhão?
Sim, falei com ela logo que fui preso – depois não pude fazer isso mais, pois apreenderam o meu celular e fiquei sem comunicação. Mas agora estou tranqüilo, ao seu lado, vamos nos casar em fevereiro de 2011 e o Senhor vai continuar nos abençoando.