Vida Autenticamente Cristã

Por Robson Luiz Pires da Silva


A vida autenticamente cristã está intimamente associada à espiritualidade cristã. De fato, não se pode falar de uma, sem mencionar a outra. Mas afinal de contas, o que se pode entender por espiritualidade cristã?

Alguns diriam que é “vida no Espírito”: orientar-se para Deus, através de Cristo, no Espírito Santo; ou que é a “prática da Lei do amor, gerado no coração do homem, pela operação do Espírito”. Outros afirmam, como Leonardo Boff, que “os portadores permanentes da espiritualidade são as pessoas comuns, que vivem a retidão da vida, o sentido da solidariedade, e cultivam o espaço sagrado do Espírito, seja em suas religiões e igrejas, seja no modo como pensam, agem e interpretam a vida”.

Parece que ao escrever desta forma, Boff tinha em mente o pensamento de Schaeffer, que diz: “ser espiritual é ser cada vez mais humano”. Essa idéia nos remete a pensar que a nossa espiritualidade passa pela nossa reumanização (“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. – Gn 1.26 NV.T). Quanto mais somos humanos, mais nos aproximamos de Deus.

Com base nestes sucintos e preciosos conceitos, podemos afirmar que a nossa espiritualidade cristã deve estar intrinsecamente associada a uma vida impregnada por disciplinas espirituais, deixando de lado a superficialidade que tem sido a maldição de nosso tempo.
 
A palavra disciplina vem do latim, e traz a idéia de treinamento. Discípulo e aprendiz são derivados dela. Portanto, para se alcançar a maturidade na espiritualidade cristã, é necessário que se desenvolva basicamente, as chamadas disciplinas clássicas da vida cristã, a saber:

1ª) Oração: “a disciplina da Oração é que nos leva à obra mais profunda e mais elevada do espírito humano”.

2ª) Jejum: não é greve de fome e nem mortificação, mas o jejum bíblico que sempre se concentra em finalidades espirituais.
 
3ª) Estudo da Palavra: “a disciplina do estudo é o veículo básico que nos leva a ocupar o pensamento”. (Fp. 4:8).
 
4ª) Meditação: “se esperamos ultrapassar as superficialidades de nossa cultura, incluindo a cultura religiosa, devemos estar dispostos a descer aos silêncios recriadores, ao mundo interior da contemplação”.
 
5ª) Simplicidade: “é uma realidade interior que resulta num estilo de vida exterior”.
 
6ª) Solitude: “devemos rejeitar nosso medo de ficar sozinhos que impulsiona-nos para o barulho e para as multidões”.

7ª) Submissão: “o cristão é o mais livre de todos os senhores, e não está sujeito a ninguém; o cristão é o mais submisso de todos os servos, e está sujeito a todo mundo”. (Martinho Lutero).

8ª) Serviço: “o verdadeiro serviço edifica a comunidade. Silenciosa e despretensiosamente ele vai aqui e ali cuidando das necessidades alheias; não obriga ninguém a retribuir o serviço. Ele atrai, une, cura, edifica”.
 
9ª) Adoração: a verdadeira adoração parte de um conhecimento verdadeiro do objeto da adoração, Deus. “A igreja existe não para oferecer entretenimento, encorajar vulnerabilidades, melhorar a auto-estima ou facilitar amizades, mas, para adorar a Deus”. (Philip Yancey).

Portanto, quando nos empenhamos em praticar tais disciplinas, alcançamos valioso progresso na nossa vida cristã. Temos comunhão com Deus e com o nosso semelhante e paz interior. Assim procedendo, demonstraremos ser cristãos autênticos onde quer que estejamos, pois a nossa conduta, independerá das circunstâncias e não alterará por causa da situação. Saberemos como agir, aproveitando as oportunidades e percebendo as possibilidades de testemunhar do amor de Cristo Jesus.